Plano Diocesano de Pastoral

A alegria do Evangelho é a nossa missão”

Todos discípulos missionários

A nossa Diocese do Porto optou – e bem! – por um projeto pastoral de cinco anos, à base de uma designação genérica que é, simultaneamente, uma profissão de fé e um cartão da sua identidade: “A alegria do Evangelho é a nossa missão”. Em 2018/19, esse projeto especifica-se no tema: “Todos discípulos missionários”.

Por feliz coincidência, os Bispos de Portugal aprovaram a celebração de um Ano Missionário, que se inicia em outubro de 2018 e culmina em outubro de 2019, «Mês Missionário Extraordinário», assim declarado pelo Papa Francisco para assinalar o centenário de um importantíssimo documento pontifício que muito contribuiu para relançar a moderna perspetiva de missão.

Ora, se nós, Diocese do Porto, já tínhamos pressentido a urgência desta vertente da evangelização, agora, em sintonia com toda a Igreja que está em Portugal, faremos da dimensão e da metodologia missionária o grande paradigma de todas as nossas iniciativas, ações e projetos. Como pede o Papa, este ano é para ser vivido no encontro com Jesus Cristo na Igreja, na liturgia, no testemunho dos santos e mártires da missão, na formação bíblica, catequética, espiritual e teológica, e na caridade missionária. E para

aprendermos a “sair”: sair das nossas rotinas, do autoconvencimento de que a pática religiosa ainda é razoável, da ideia que pouco mais poderemos fazer. Sair para dentro e fora das Paróquias e mesmo do país. E sair em direção a «todos», especialmente aos jovens, até porque a Igreja lhes vai dedicar um Sínodo e vamos ouvir falar deles por causa das próximas Jornadas mundiais.

Para ajudar a nossa Igreja do Porto a tomar consciência de disto mesmo, apresento uma reflexão, à base da figura paradigmática de Jonas e indicarei algumas ações muito simples para tentarmos implementar a todos os níveis. Aproveito-me da reflexão feita pela equipa que, nos anos anteriores, se tem responsabilizado pela conceção e apresentação do plano pastoral.

Desta vez, porém, prefiro ser eu a apresentar este projeto, somente por uma razão: a Diocese tem direito a conhecer o pensamento do seu bispo.

(…)

Tu precisas de todos e todos precisam de ti!

O nosso mundo tem sede de Deus. E muita! Se até a «detestável» Nínive se abriu a Deus e à sua graça, muito mais o nosso tempo, caracterizado por um renascer religioso, muitas vezes «selvagem». Não podemos «fugir» desta obrigação, como Jonas: temos antes de proceder como Jesus junto ao poço de Jacob: esperar que a samaritana chegue e saciar-lhe a sede da “água viva”. Claro que este «esperar», hoje, não é passividade, mas enorme atividade. Nesta disposição é que começa a conversão missionária das estruturas da nossa Igreja. E até a sua santidade, a qual, como refere o Papa Francisco na sua mais recente Exortação Apostólica, a “Alegrai-vos e Exultai” (Gaudete et exultate), passa pela persistência, paciência, mansidão, alegria, sentido de humor, ousadia e ardor. Sempre em comunidade e em oração contante (n. 112-157).

Nossa Senhora da Assunção, Padroeira da Diocese do Porto, nos ajude a sermos membros vivos da Igreja da qual ela é Mãe e modelo. Participemos do espírito destemido de D. António Barroso, de quem celebramos o centenário da sua morte. E identifiquemo-nos completamente com a missão, a exemplo do P. Américo, ordenado Presbítero há noventa anos.

Porto, junho de 2018

O vosso bispo e irmão, + Manuel Linda