Antífonas do Ó

O Tempo Forte do Advento, que nos prepara para o Natal, oferece-nos algumas dimensões e oportunidades para ser, verdadeiramente, um tempo de crescimento interior e preparar o coração – também o da comunidade paroquial que somos – para acolher o Senhor que vem salvar-nos. Não esqueçamos que o primeiro caminho, o primeiro que Se move ao nosso encontro – ontem, hoje e sempre – é o próprio Deus, no seu Filho Jesus Cristo. Move-O a estrela do Amor que Ele é, para nos encher desse seu Amor, e mover-nos a nós a testemunhá-l’O. Como Maria: cheia do Amor de Deus, da sua Graça, ela saiu para levar a Boa Nova que a habitava plenamente. Maria é a nossa grande mestra do Advento.
Por isso, são tão antigas e importantes as Antífonas do Ó, que cantaremos, uma vez mais este ano, entre os dias 17 e 23 de Dezembro, como nos propõe a liturgia.
De facto, ao lado de muitos outros elementos próprios deste tempo: a pouca presença das flores, a cor roxa, as luzes que assinalam o caminho, o presépio, as Antífonas do Ó têm um lugar muito importante. Contemplar e rezar, cantando na celebração da Eucaristia, com este acróstico (as iniciais de cada um das antífonas dão para escrever esta frase: ERO CRAS: virei amanhã) aparentemente tão normal, pode realmente ajudar-nos a entrar mais profundamente neste tempo litúrgico que nos prepara para celebrar o nascimento de Jesus, o Filho de Deus, feito Homem para nossa salvação. Cantar, cada dia, uma dessas antífonas ou invocações, para além de nos fazer o aproximar do dia de Natal, faz crescer em nós o desejo de que o Senhor venha. São uma bela oração.
Cada dia, cada uma das antífonas dá um atributo a Jesus – ajudando-nos assim a compreender melhor o que Ele é e significa como plenitude e cumprimento da História da salvação – precedida pela exclamação «Ó», ou seja «Oh».
Assim: no dia 17, a antífona diz «Ó Sabedoria»: Jesus é invocado como a Sabedoria que é Deus.
No dia 18, canta-se «Ó Senhor» (Adonai, em latim): Jesus é invocado como Senhor, Kyrios (do Senhor/Kyrie, tende piedade de nós, por exemplo).
No dia 19, antífona que rezamos diz «Ó Raíz de Jessé», já que Jesus, por José, procede da família do Rei David, cujo pai era Jessé (não se esqueçam de contemplar a bela Árvore de Jessé que temos na nossa igreja).
No dia 20, de forma parecida, diz-se «Ó Chave da casa de David», recordando, mais uma vez, a ascendência davídica de Jesus, por meio de José.
No dia 21, a antífona canta «Ó Sol nascente» (Oriens/Oriente, em latim), recordando as palavras de Zacarias, esposo de Isabel e pai de João Baptista: “Graças ao coração misericordioso do nosso Deus que das alturas nos visita como sol nascente”. Jesus é esse Sol, essa Luz que nasce para iluminar a nossa escuridão. Como o astro/sol nasce, cada dia, no oriente.
No dia 22, a antífona começa com as palavras «Ó Rei das nações», já que Jesus, como celebramos no último Domingo de cada ano litúrgico, é o Rei de todo o universo.
E finalmente, no dia 23, a antífona faz-nos cantar «Ó Emanuel», que quer dizer: ‘Oh, Deus está connosco’.
E percebemos então o referido acróstico: ERO CRAS: virei amanhã. De facto, logo no dia seguinte, 24, noite de Natal, celebramos o nascimento de Jesus Cristo, Deus connosco, o Emanuel.
Podemos então viver, acompanhados pelas antífonas do Ó, esta espécie de ‘semana santa’ do Advento.
Aqui fica pois o convite para participar e rezar as antífonas do Ó, e contemplar, com a Nossa Senhora do Ó, como é grande o amor de Deus por nós, ao ponto de nos enviar o seu Filho, Jesus Cristo.