Movidos pelo amor de Deus

Para este novo Ano Pastoral, aqui ficam algumas indicações do Plano Pastoral Diocesano que nos é proposto, para concretizarmos, na nossa paróquia, em comunhão com a diocese.

I. ALGUNS CONTEXTOS E DESAFIOS PASTORAIS: A IGREJA DO PORTO, NA COMUNHÃO DA IGREJA UNIVERSAL

O SÍNODO DOS BISPOS: OS JOVENS, A FÉ E O DISCERNIMENTO VOCACIONAL

O nosso ano pastoral 2017/2018 acompanha o caminho da Igreja, em ordem à realização da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, a realizar em outubro de 2018, sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

O IX ENCONTRO MUNDIAL DAS FAMÍLIAS, SOB O TEMA O EVANGELHO DA FAMÍLIA, ALEGRIA PARA O MUNDO

O IX Encontro Mundial das Famílias, a realizar-se em Dublin, Irlanda, de 22 a 26 de agosto de 2018, é motivador da nossa reflexão e ação pastorais, no âmbito de um contexto preciso do nosso Plano: «A família, sujeito e destinatária da evangelização» (PDP 2015/2020, Cap. III.2, pp. 13-14).

OS DESAFIOS DA CARTA APOSTÓLICA MISERICORDIA ET MISERA

A Carta Apostólica Misericordia et Misera aparece-nos com o propósito de não «encerrar» mas sim de continuar o Ano Extraordinário da Misericórdia, de nos fazer “olhar para diante e compreender como se pode continuar, com fidelidade, alegria e entusiasmo, a experimentar a riqueza da misericórdia divina” (MM, 5).

  • UM DOMINGO DEDICADO À PALAVRA DE DEUS

«Que cada comunidade pudesse, num domingo do Ano Litúrgico, renovar o compromisso em prol da difusão, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura: um domingo dedicado inteiramente à Palavra de Deus, para compreender a riqueza inesgotável que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo» (cf. CEP/CAEJ, 17).

  • O DIA MUNDIAL DOS POBRES

A sugestão do Papa Francisco aponta para a comemoração do Dia Mundial dos Pobres, no penúltimo domingo do ano litúrgico, este ano a 19 de novembro, como “a mais digna forma de preparação para bem viver a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que se identificou com os mais pequeninos e nos há de julgar sobre as obras de misericórdia” (MM, 21).

II. O CONTEXTO DIOCESANO NO 3.º ANO DO QUINQUÉNIO PASTORAL: O AMOR DE DEUS QUE NOS MOVE E COMOVE!

O TRÍPLICE DEVER: ANÚNCIO DA PALAVRA, CELEBRAÇÃO DOS SACRAMENTOS E SERVIÇO DA CARIDADE

Depois do acento pastoral na alegria do anúncio (2015/2016) e nas fontes da liturgia (2016/2017), queremos, neste 3.º ano (2017/2018), e no centro deste quinquénio, pôr a nossa tónica pastoral, na Caridade. Não o propomos, por que alguma vez a caridade tenha sido esquecida, mas para que nunca seja esquecida, uma vez que a cada cristão é sempre recordado, que “sem a caridade nada sou; se não tiver caridade de nada me aproveita” (cf. 1 Cor 13,2.3), na certeza de que esta caridade é sempre algo mais do que mera atividade (cf. DCE, 34).

III. PROGRAMA PASTORAL 2017/2018: MOVIDOS PELO AMOR DE DEUS!

OBJETIVOS: VIVER DA CARIDADE, VIVER A CARIDADE, VIVER EM CARIDADE

  • A IGREJA QUE VIVE DA CARIDADE

Movidos pelo amor de Deus, propomo-nos viver da caridade verdadeira, daquele amor que brota do mistério trinitário, como sua fonte, e que dimana, para todos nós, nas múltiplas experiências do encontro com Cristo, na escuta e anúncio da Palavra, na oração e celebração dos sacramentos, no testemunho feliz do amor recebido e oferecido.

Enraizados na caridade, queremos cultivar uma sólida espiritualidade cristã que dê consistência e sentido cristão ao compromisso social, para que este apareça, como fruto do amor de Cristo e do encontro transformador com Ele. Numa palavra, queremos uma Igreja que vive da caridade: anuncia-a, celebra-a e testemunha-a. A comunidade cristã, no seu conjunto, é o sujeito da caridade e esta não é delegável a um grupo de boa vontade, a uma instituição social ou a especialistas na matéria. Assim, a primeira preocupação de cada comunidade deverá ser a de sensibilizar, educar e formar todos os seus membros para a vivência e o testemunho da caridade.

  •  A IGREJA QUE VIVE A CARIDADE

Movidos pelo amor de Deus, propomo-nos viver a caridade, na prática concreta do mandamento novo do amor, «como Ele nos amou», portanto, por participação e imitação do amor de Cristo, quer ao nível mais pessoal das nossas relações humanas e sociais, quer ao nível mais institucional da caridade organizada pelas nossas comunidades cristãs.

Para viver a caridade, e com ela animar e fortalecer as nossas relações e instituições, urge então formar cristãos contemplativos na ação, verdadeiros evangelizadores com espírito, que anunciem a Boa Nova, não apenas com palavras, mas sobretudo com uma vida transfigurada pela presença de Deus.

  •  A IGREJA QUE VIVE EM CARIDADE

Movidos pelo amor de Deus, queremos viver em caridade, fomentando nas nossas comunidades a comunhão visível na partilha de bens materiais e espirituais, a unidade de alma e coração na justa diversidade de dons e ministérios, a capacidade de perdão e a necessária abertura à reconciliação, o diálogo paciente e permanente entre todos, a cultura do encontro e da proximidade, a estima recíproca entre pessoas e grupos, a procura humilde dos caminhos de renovação pastoral.

Reiteramos o desafio de criar e / ou revitalizar os espaços e os órgãos de comunhão, como os conselhos paroquiais ou interparoquiais, os conselhos vicariais, para que a prática efetiva da corresponsabilidade apareça, desde já, como exercício de aprendizagem da verdadeira sinodalidade, isto é, como capacidade das comunidades para fazerem caminho em conjunto, sob o impulso do Espírito Santo.

PROPOSTAS DE AÇÃO PASTORAL

Suscitar e fazer crescer, nas paróquias, a dimensão social, como exigência da vida da própria comunidade, revitalizando ou criando os grupos, para uma resposta adequada.

Conhecer e divulgar a Doutrina Social da Igreja e as suas implicações na leitura e na transformação da realidade social, nomeadamente através da formação destinada a agentes da pastoral sociocaritativa e do mundo laboral, e aos jovens, nos seus encontros de reflexão e nas suas experiências de compromisso eclesial ou de voluntariado social, tendo presente que “a caridade é a via mestra da doutrina social da Igreja” (CV, 2).

Valorizar e especificar o ministério do diaconado permanente, no que se refere à diaconia da caridade, a par da diaconia da palavra e da diaconia da liturgia. Por meio do seu ministério, os diáconos são chamados a impulsionar a diaconia como elemento estruturante da vida eclesial, como vocação e missão de todos os fiéis na Igreja.

Suscitar uma espiritualidade sensível à ação caritativa e incentivar os leigos no compromisso social e político.

Sensibilizar e formar os jovens para o cuidado da Casa comum e para a dimensão política da fé, de modo a oferecer ao mundo uma nova geração de líderes.

Relevar a importância fundamental do cuidado integral dos sós, das pessoas com deficiência, dos doentes, nos hospitais e em casa, para que estes não se considerem apenas recetores de solidariedade caritativa, mas se sintam inseridos a pleno título na vida e missão da Igreja. Todos eles são, para a Igreja, um tesouro precioso (cf. Papa Francisco, Alocução aos doentes, Fátima, 13.05.2017).

Cuidar da beleza e da riqueza do amor em família, sem esquecer o drama das famílias feridas e atingidas pelas diversas expressões de crise (separação, violência, luto, pobreza).